O Lado B da FIFA: O Enorme Lucro por Trás do Espetáculo
Roberto Navarro
30 de abril de 2026
Enquanto você, torcedor, faz conta para pagar um ingresso de R$ 56 mil, enquanto você troca figurinha como se fosse ação na bolsa, enquanto você planeja vender o carro para pagar uma viagem de 7 dias – a FIFA, a senhora do espetáculo, fatura como nunca.
Ela chora no discurso. Fala em legado, em inclusão, em "futebol para todos". Sorri nas fotos ao lado de crianças carentes. Aperta a mão de dirigentes de países pobres. Parece até uma ONG beneficente, não é?
Pois bem. Vamos ao Lado B. O lado que não aparece no comercial de 30 segundos. O lado dos US$ 13 bilhões.
Sente-se. Respire. E prepare o ódio.
A receita recorde: o dinheiro que não cabe no cofre
A FIFA projeta para o ciclo da Copa do Mundo de 2026 um faturamento recorde de US$ 13 bilhões.
Vamos traduzir isso para números que o cérebro humano consegue processar:
E de onde vem esse dinheiro? Das suas economias. Do seu suor. De cada ingresso superfaturado, de cada pacote de figurinha, de cada direito de transmissão que você paga na TV a cabo, de cada patrocinador que empurra produto na sua goela durante o intervalo.
A FIFA não produz nada. Ela não constrói estádios (quem paga são os países). Ela não põe a bola no gramado (quem paga são os clubes). Ela não torce (quem torce é você).
Ela apenas licencia. E cobra. E embolsa. E repete.
A distribuição: a migalha que chamam de prêmio
Agora vem a parte que a FIFA adora divulgar nos seus releases de marketing: "Olha como somos generosos! Vamos distribuir US$ 871 milhões entre as seleções!"
Uau. Quase US$ 1 bilhão. Parece muito. É muito. Para qualquer mortal, é uma fortuna.
Mas vamos comparar com os US$ 13 bilhões de faturamento.
US$ 871 milhões representa apenas 6,7% da receita total. Menos de 7%. O resto? Fica com a FIFA. Para pagar salários de dirigentes, viagens de primeira classe, hotéis de luxo, e – claro – "investir no desenvolvimento do futebol" (leia-se: engordar as contas em Zurique).
Vamos detalhar a premiação que a FIFA tanto exalta:
Pare e pense. O campeão do mundo – o time que venceu 7 jogos, que fez um país inteiro parar, que entrou para a história eterna do esporte – recebe US$ 50 milhões.
O que dá para comprar com US$ 50 milhões?
O time que vence o mundo recebe, em dinheiro, o equivalente a menos de uma fileira de cadeiras na final. E a FIFA? A FIFA fica com os outros US$ 12,13 bilhões.
O ato falho: a FIFA não controla porque não quer
Você lembra do primeiro artigo? Da revenda de ingressos a US$ 2,3 milhões e da FIFA embolsando 15% de comissão dos dois lados?
Pois bem. Agora você entende por que a FIFA "não consegue" controlar o marketplace. Porque controlar reduziria o lucro. O caos é lucrativo. A especulação é lucrativa. O torcedor desesperado que paga R$ 11 milhões num ingresso é lucrativo.
A FIFA não é uma entidade esportiva. É uma holding de entretenimento com causa social de fachada. O futebol é o produto. O torcedor é o recurso extraído. E o lucro? Ah, o lucro é privatizado.
O contraste que envergonha
Enquanto a FIFA anuncia receitas recordes:
Mas a FIFA tem um departamento de marketing excelente. Eles vão te mostrar o sorriso da criança com a camisa da seleção. Eles vão te vender o sonho. Enquanto isso, nos bastidores, a máquina de fazer dinheiro tritura tudo – e todos – que estiverem no caminho.
O que a FIFA poderia fazer (mas não faz)
Com US$ 13 bilhões, a FIFA poderia:
Mas não faz. Porque o objetivo nunca foi o futebol. O objetivo sempre foi o lucro.
Conclusão: o espetáculo é seu. O lucro é deles.
A Copa do Mundo é linda. É emocionante. É o maior evento esportivo do planeta. Nada disso está em discussão.
O que está em discussão é: quem deve ficar com a maior parte do bolo?
Hoje, a resposta é clara: a FIFA. Uma entidade privada, sem controle democrático, sem prestação de contas ao torcedor, que faturou US$ 13 bilhões e distribuiu 6,7% para os atletas – os verdadeiros protagonistas.
O discurso é apaixonado. O balanço é frio. E o torcedor, como sempre, sai perdendo. Paga ingresso caro. Paga figurinha cara. Paga viagem cara. E no final, agradece por ter visto o hexa.
Enquanto isso, em Zurique, os dirigentes comemoram o que realmente importa para eles: o recorde de faturamento.
Parabéns, FIFA. Você transformou a paixão em petróleo. E o torcedor em combustível.