2026 – Cinco ausências e frustração em série
Na edição mais recente, cinco nomes do álbum ficaram de fora dos 18 convocados. O goleiro Bento e o atacante João Pedro foram cortados por opção da comissão técnica, perdendo a disputa para concorrentes de última hora. Três outros jogadores foram vítimas de lesão: o zagueiro Éder Militão, o atacante Rodrygo e a jovem promessa Estêvão, que não conseguiu se recuperar a tempo. O quinteto transformou a coleção em um retrato agridoce para os colecionadores.
2022 – A solidão de Coutinho
Em um álbum com alto índice de acerto (17 de 18), a única baixa foi o meia Philippe Coutinho. O jogador sofreu uma lesão muscular em um treino no Aston Villa e, mesmo com a expectativa de recuperação, não convenceu a comissão técnica. A figurinha do camisa 10 ficou como símbolo da imprevisibilidade que ronda os mundiais.
2018 – Duas baixas entre veteranos e esperanças
Dois nomes do álbum não disputaram o Mundial da Rússia. O lateral-direito Daniel Alves sofreu uma lesão grave no joelho direito – uma desinserção do ligamento cruzado anterior – pouco antes da convocação final, acabando com o sonho de disputar sua última Copa. Já o meia Giuliano, que havia figurado em listas anteriores, perdeu espaço na reta final e ficou pelo caminho por decisão técnica.
2014 – Robinho, o único desfalque do álbum do hexa que não veio
O atacante Robinho foi o único brasileiro presente no álbum a não entrar em campo na Copa disputada em casa. Apesar de sua experiência, a concorrência no ataque e o momento vivido pelo jogador pesaram para a opção técnica de Felipão, que preferiu levar outras peças ofensivas. A figurinha do “Rei das Pedaladas” ficou como testemunha de uma convocação quase perfeita – mas que não trouxe o título.
2010 – Dunga fecha a porta para três estrelas
O técnico Dunga deixou de convocar três jogadores que ilustravam o álbum: o lateral André Santos, o meia Ronaldinho Gaúcho e o atacante Adriano. As razões misturam disciplina e rendimento. André Santos conta que ficou fora por ter se atrasado e perdido o ônibus da delegação em La Paz, episódio que gerou atrito disciplinar. Ronaldinho, em baixa no Milan, foi preterido por questões técnicas e, segundo especulações da época, por um rancor pessoal do treinador. Já o Imperador Adriano, embora bem cotado, foi cortado após demonstrações de indisciplina nos treinos do Flamengo.
2006 – Três cortes que marcaram o fim de ciclos
O zagueiro Roque Júnior, que convivia com uma lesão no tendão de Aquiles, acabou ficando de fora por opção técnica mesmo estando boa parte do ciclo. O meio-campista Júlio Baptista sucumbiu à concorrência do “quadrado mágico” formado por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo. E o volante Renato, que havia trocado o Santos pelo Sevilla, perdeu espaço em uma posição muito disputada, influenciado também pela mudança de clube no ano anterior.
2002 – Quatro nomes e a mão pesada de Felipão
O álbum do penta contou com quatro figurinhas que não embarcaram para Coreia e Japão. O zagueiro Antônio Carlos Zago foi cortado por opção técnica, assim como o lateral Zé Roberto, que mais tarde explicou que Felipão optou por atletas que atuavam no Brasil e que ele conhecia melhor. O volante Mauro Silva recusou-se a viajar para a Colômbia por questões de segurança e, a partir dali, foi riscado da lista. Por fim, o volante Emerson sofreu um acidente bizarro: deslocou o ombro durante um recreativo (rachão) na véspera da estreia e foi cortado às pressas.
1998 – A panturrilha de Romário e outras baixas
Quatro jogadores não foram da figurinha para o gramado na França. Os laterais/volantes Zé Maria e Flávio Conceição sofreram lesões. O experiente Mauro Silva teve problemas físicos e foi preterido por questões táticas. Mas o maior trauma foi o do atacante Romário: o Baixinho sofreu uma lesão muscular na panturrilha. Apesar de jurar que estaria apto para a fase eliminatória, a comissão técnica de Zagallo não confiou na recuperação e o dispensou antes da estreia, gerando comoção nacional.
1994 – Lesão e motivos extracampo
O álbum do tetra teve três cortes. O zagueiro Ricardo Gomes lesionou-se em um amistoso preparatório e ficou de fora. O meia Palhinha foi excluído por opção técnica, mas o próprio jogador revelou anos depois que pesaram motivos extracampo. O atacante Evair também foi preterido, mesmo com a boa fase no Palmeiras, em uma decisão que surpreendeu parte da imprensa.
1990 – O álbum perfeito
Única vez na história em que a Panini acertou 100% da convocação. Nenhum jogador presente no álbum ficou de fora da Copa da Itália, um feito jamais repetido e que valoriza ainda mais as figurinhas daquela coleção.
1986 – Recorde de erros e indisciplina
O pior aproveitamento da Panini: apenas 11 dos 16 jogadores do álbum foram convocados (68,75%). As cinco ausências tiveram motivos pesados. Os laterais Leandro e Renato Gaúcho foram cortados por atos de indisciplina. Os volantes Toninho Cerezo e Mozer ficaram fora por lesão. Já o atacante Éder deu um soco em um jovem peruano pouco antes da convocação e foi sumariamente riscado.
1982 – Apenas Zé Sérgio ficou pelo caminho
O álbum da mágica seleção de Telê teve só um desfalque: o atacante Zé Sérgio. O jogador enfrentava graves lesões no joelho e cirurgias malsucedidas que comprometeram sua velocidade e seu rendimento na reta final do ciclo, tirando-o da lista que encantou o mundo.
1978 – Quatro cortes por lesão e opção técnica
A coleção da Argentina viu Zé Maria ser cortado por lesão muscular. O zagueiro Luis Pereira ficou de fora porque a CBD priorizava atletas que atuavam no Brasil, além de carregar o estigma de ter sido expulso em 1974. Os meias Paulo Cesar e Raul foram excluídos por opção técnica.
1974 – Fim de ciclo e lesões
A Copa da Alemanha marcou o encerramento de carreira de Félix, então com 36 anos, que não figurou na lista final. Os ídolos Carlos Alberto Torres e Clodoaldo foram vetados por lesões. Completaram a lista de cortes os atacantes Palhinha e Carbone, preteridos pela comissão técnica.
1970 – Apenas Dirceu Lopes no primeiro álbum da Panini
No primeiro álbum oficial da Copa feito pela Panini, somente um jogador foi cortado da Seleção campeã. O meia Dirceu Lopes, ídolo do Cruzeiro, foi dispensado por Zagallo, que justificou a decisão alegando excesso de jogadores para a posição de meio-campo. A figurinha do craque ficou como a primeira “baixa” da história entre papel e gramado.
A trajetória dos cortes mostra que colecionar a Seleção é também colecionar os “ses” da história. Entre lesões de última hora, decisões técnicas controversas e episódios de disciplina, cada figurinha que não viajou conta um pedaço da novela que antecede as Copas – e que a Panini insiste em tentar adivinhar com mais emoção do que precisão.