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"Linda" Irresponsabilidade: O Carnaval de Lula e a Farsa da Propaganda Eleitoral
Inteligência Emocional

"Linda" Irresponsabilidade: O Carnaval de Lula e a Farsa da Propaganda Eleitoral

Roberto Navarro
17 de abril de 2026
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desfilou no carnaval de 2026 e classificou sua própria participação como "linda". A declaração foi dada à imprensa na segunda-feira, 17 de fevereiro, após o petista comparecer a dois desfiles no Rio de Janeiro: a passagem pela Sapucaí, onde assistiu ao desfile das escolas de samba na companhia da primeira-dama Janja, e o bloco "Cordão do Boitatá", na altura do Leme, onde vestiu uma camisa com o rosto do presidente estampado em alto-relevo e posou para fotos com foliões. "Foi lindo ver a alegria do povo", disse Lula. "A democracia voltou. O Brasil voltou a sorrir."

O enredo do desfile: axé, selfies e mensagem subliminar

O carnaval de Lula não foi improvisado. Foi uma operação de marketing político meticulosamente ensaiada, com todos os elementos de um palanque antecipado:

A coordenadora do bloco, inclusive, foi clara ao justificar o convite: "É para mostrar que o povo está com Lula". Não era para mostrar alegria carnavalesca. Era para mostrar apoio político. Em ano eleitoral. Com o presidente desaprovado por 61% da população.

A deputada e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, completou o coro: afirmou que a participação de Lula na folia é legítima "num momento em que Bolsonaro está inelegível porque atentou contra a democracia". A fala, além de mentirosa (Bolsonaro tem seus direitos políticos suspensos por decisão do TSE, mas não "atentou contra a democracia" no sentido penal da expressão), soa como um confessionário: "Vamos usar o espaço que sobrou porque o adversário está fora do jogo".

A acusação de propaganda antecipada: o que diz a lei – e a realidade

A representação protocolada por parlamentares do PL e do Novo tem fundamento jurídico concreto. A Lei das Eleições (Lei 9.504/97) veda, a partir de 1º de janeiro do ano da eleição, qualquer conduta que configure propaganda eleitoral antecipada, incluindo a distribuição de camisetas, adesivos ou a realização de eventos que tenham por objetivo promover candidatura.

O que Lula fez no carnaval de 2026? Distribuiu abraços e sorrisos em um espaço público usando uma camisa com o próprio rosto. A imagem foi transmitida ao vivo por emissoras de televisão, compartilhada milhares de vezes nas redes sociais e repercutida em portais de notícia do mundo inteiro como "Lula curte carnaval com estampa da própria cara".

Se isso não é propaganda eleitoral antecipada, o que seria? Um outdoor de 30 metros na avenida Paulista?

O argumento do governo é que "o presidente tem direito à livre expressão e ao lazer". Claro que tem. O problema é que nenhum presidente – nem Bolsonaro, nem Temer, nem Dilma – jamais vestiu uma camisa com o próprio rosto estampado em um evento público de massa em ano eleitoral. Porque todos sabiam que aquilo era passível de cassação ou, no mínimo, multa eleitoral.

Lula, no entanto, age como se estivesse acima da lei. Ou como se a lei não se aplicasse a ele porque "ele é o povo". Spoiler: a lei se aplica. E a Justiça Eleitoral, mais cedo ou mais tarde, vai bater o martelo.

O carnaval como metáfora do governo

A participação de Lula no carnaval de 2026 é um resumo perfeito do seu terceiro mandato: festa, discurso e pouca gestão.

Enquanto o presidente foliava na Sapucaí e no Leme:

Mas o que importa é que Lula sorriu na Sapucaí. Porque, no universo paralelo do Planalto, governar é comparecer, sorrir e dizer que está tudo lindo. E o problema – a conta, a violência, a fome, o déficit – é sempre do antecessor. Ou da imprensa. Ou do mercado. Ou de algum inimigo imaginário.

A comparação inevitável: e Bolsonaro, fez o quê?

A defesa do governo não poderia ser mais previsível: "E Bolsonaro? Também desfilava! Também fazia campanha!"

Verdade. Bolsonaro, em 2022, também participou de carnavais de rua durante o primeiro mandato. A diferença é que ele não estava inelegível naquele momento. E suas participações eram menos coreografadas – o que não é um elogio, apenas uma constatação.

Mas o que interessa agora não é o que Bolsonaro fez. É o que Lula está fazendo. E o que Lula está fazendo é transformar o carnaval em palanque eleitoral enquanto o país arde em chamas fiscais e sociais.

O que a base do governo chama de "alegria do povo" soa aos ouvidos do eleitor médio como desfile de irresponsabilidade. E a imagem do presidente acenando com a própria cara estampada no peito, em meio a multidão que paga R$ 10 num bloco de rua enquanto ele fretou jatinho para ir e voltar no mesmo dia – essa imagem, meu caro, é o resumo visual de um governo desconectado da realidade.

A coroa de flores ou o atestado de óbito?

O carnaval passa. A folia acaba. Quarta-feira de cinzas chega, e com ela a ressaca – literal e figurativa. O que sobra, além dos confetes no chão da Sapucaí, é a pergunta: Lula achou o desfile "lindo". Mas o que o eleitor achou?

As pesquisas já têm a resposta. Mas o governo prefere não ver. Então segue desfilando. Segue dançando. Segue chamando de "lindo" o que a maioria já enxerga como propaganda barata em ano de vacas magras.

O torcedor, nas arquibancadas da vida real, está cansado de pagar ingresso caro para ver espetáculo de baixa qualidade. E agora, o eleitor está cansado de ver o presidente foliar enquanto o país afunda.

A alegria é linda, sim. Mas não paga imposto, nem enche geladeira, nem reduz a violência. E, quando usada como arma eleitoral antecipada, a "alegria do povo" vira apenas mais uma peça num jogo de aparências – o mesmo jogo que o petista tanto criticou quando era praticado pelos adversários.

O carnaval acabou. A campanha, infelizmente, ainda nem começou. E o presidente, com a própria cara estampada no peito, já deu o tom: vai ser uma disputa de quem desfila melhor – não de quem governa direito.