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Ninguém Mostra o Extrato Bancário (e o Risco) Por Trás do Outdoor do Messi
Inteligência Emocional

Ninguém Mostra o Extrato Bancário (e o Risco) Por Trás do Outdoor do Messi

Roberto Navarro
9 de março de 2026
Todo mundo viu a foto. Lionel Messi, possivelmente o maior jogador de futebol de todos os tempos, estampado em um outdoor em Miami. Ao lado, a logo roxa do Nubank. A legenda mental que o mercado fez foi automática: "Uau, o Nubank chegou nos EUA com tudo. Que marketing foda."

Ninguém viu a reunião de apresentação do conselho. Ninguém viu o momento em que alguém teve que defender um orçamento de marketing bilionário para associar a marca a um estádio que ainda nem existe. Ninguém mostra o spreadsheet com as projeções de retorno sobre investimento para os próximos 10, 15, 20 anos.

O que parece um simples "post patrocinado" ou um "outdoor bonito" é, na verdade, a ponta do iceberg de uma estratégia de expansão internacional tão cara e arriscada quanto qualquer aquisição bilionária. A verdade nua e crua é que o Nubank não está apenas anunciando. Ele está comprando um pedaço do imaginário americano antes mesmo de ter permissão para vender um único produto. E essa conta é salgada.

A Anatomia do Custo: O Extrato que Ninguém Publica

Quando falamos de marketing de massa com embaixadores globais e naming rights de estádios, o custo não está apenas no dinheiro. Está na estratégia, no tempo e na aposta.

O Custo Financeiro: O Bilhete de Entrada na Cultura

Esqueça o custo de um post patrocinado. Estamos falando de outro patamar.

O Custo de Tempo: A Longa Espera pelo Decolagem

No marketing de performance, você investe R$ 100 e vê o retorno em vendas no dia seguinte. Aqui, a régua é outra.

O Custo Emocional: A Solidão da Cúpula

Empresas também têm emoções. Ou melhor, os líderes têm.

O Debate: Visão de Futuro ou Supremo Luxo?

Alguns analistas de marketing mais "pé no chão" dirão: "Isso é loucura. Marketing de performance é mais barato e mensurável. Naming rights de estádio é coisa de petrolífera, não de fintech. Eles estão queimando dinheiro dos acionistas com ego."

E é verdade, o risco existe. Empreendedorismo digital e fintechs sempre pregaram a eficiência e o growth hacking. Gasto milionário com imagem institucional parece coisa do século passado, um luxo desnecessário para quem quer escalar rapidamente.

A ressalva fundamental é: o que para uma startup é luxo, para uma potência continental é investimento em legado. O Nubank já não é mais uma startup. É uma das maiores instituições financeiras da América Latina. Para conquistar o mercado americano, o mais disputado do mundo, não adianta chegar com desconto e taxa zero. É preciso chegar com status.

O Nubank não quer ser só mais um aplicativo de banco na gaveta do americano. Ele quer ser a marca associada ao lazer, ao esporte, ao sonho americano personificado na figura de Messi. O importante é entender que essa estratégia é um tiro de canhão, não de fuzil. Ou acerta em cheio o alvo do reconhecimento de marca duradouro, ou erra feio e entra para a história dos casos de marketing mais caros e inócuos.

A Transformação: Quando a Marca se Torna Cenário

Valeu a pena? O Nubank vai virar piada se daqui a dois anos não tiver produtos competitivos nos EUA? Ou vai ser aclamado como gênio se o Miami Freedom Park se tornar um ponto turístico e toda vez que alguém tirar uma foto no estádio, o roxo do Nubank estiver lá?

O que está em jogo não é apenas o ROI (Retorno sobre Investimento) de uma campanha. É o ROI Cultural. O Nubank está comprando um ativo intangível: o direito de fazer parte da paisagem emocional americana.

Se der certo, quando o Nubank lançar sua conta digital nos EUA, o americano não vai pensar: "Devo confiar nesse banco brasileiro?". Ele vai pensar: "Ah, aquele banco do estádio do Messi. São grandes, são sérios, são do meu time."

O que se ganha não é um número numa planilha de vendas do próximo trimestre, mas um ativo de marca que os concorrentes locais levam décadas para construir. O Nubank está tentando encurtar o tempo com dinheiro e ousadia. E, no marketing, assim como no futebol, quem não arrisca o pênalti, não faz o gol.

E você, na sua empresa ou carreira, já precisou fazer um investimento gigante com retorno incerto, apenas para "ocupar o imaginário" do seu público? Foi um evento caro, uma contratação de peso ou uma mudança de marca arriscada? E, olhando para trás, valeu a pena o risco? Compartilhe nos comentários a sua jogada de marketing mais ousada.

Comentários do Roberto Navarro: Como Eu Vejo Essa Jogada e Dicas

Pessoal, o texto aí em cima é uma análise de estrategista de marketing, e é linda. Mas vou dar minha visão de mercado, de quem vive de vender e de fazer negócio, não só de construir "imaginário".

Como eu vejo isso? Primeiro, temos que tirar o chapéu para a coragem. O Nubank está fazendo o que toda empresa brasileira sonha: entrar no mercado americano com pompa. Mas, sinceramente? Isso aí é jogo de gente grande. Se você é um pequeno ou médio empresário, NÃO TENTE IMITAR ISSO EM CASA.

Dica quente: Para 99% dos negócios, marketing de performance ainda é o caminho. Invista em algo que você possa medir. O Nubank pode pagar R$ 50 milhões por ano para aparecer com o Messi porque eles já têm uma máquina de vendas rodando na América Latina que financia essa loucura. Se você tentar fazer o "Messi" do seu nicho sem ter caixa, vai quebrar.

Sobre o risco: Eles estão comprando tempo. O banco americano tradicional tem 100 anos de história. O Nubank tem 10. Como você compete com isso? Comprando atalhos. Messi é um atalho para a confiança do americano. É caro, mas pode funcionar.

Minha visão sobre o "ROI Cultural": Isso existe, mas não paga boleto no curto prazo. A diretoria do Nubank vai ter que ter estômago para aguentar meses e talvez anos de resultados "meia-boca" nos EUA enquanto o estádio enche e a marca se consolida. Se o mercado financeiro perder a paciência, o roxo pode virar vermelho.