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FIFA TROCA PANINI
Decisões Financeiras

FIFA TROCA PANINI

Roberto Navarro
7 de maio de 2026
A parceria entre Fifa e Panini começou em 1970, quando o Brasil conquistou o tricampeonato mundial no México. Durante mais de seis décadas, a italiana foi responsável por eternizar craques e coadjuvantes em papel cromado. A parceria duraria, oficialmente, 61 anos, incluindo a edição de 2030, que será a última com a marca Panini. A partir de 2031, o lugar da italiana será ocupado pela Fanatics/Topps, gigante americana do merchandising esportivo.

O Fim da Fila para a Panini

Não houve briga, não houve racha — houve dinheiro. Ponto.

A Fanatics promete "inovar" no setor de colecionáveis, com Infantino exaltando a parceria: "Em todo o cenário esportivo, vemos que a Fanatics está promovendo uma enorme inovação em itens colecionáveis, oferecendo aos fãs uma nova e significativa forma de se engajar com seus times e seus jogadores favoritos". A Fifa vai além e já oferece o aplicativo FIFA Panini Collection, uma versão virtual e gratuita do tradicional álbum de 2026. A mensagem é clara: o futuro é digital.

E, se é digital, o controle é total.

O Preço do Sentimento: R$ 1.000 para Colar

Enquanto a Fifa e a Fanatics comemoram o novo acordo, o torcedor que ainda insiste no papel amarga a maior coleção da história da Copa. Com a competição expandida para 48 seleções, o álbum de 2026 é uma monstruosidade de 980 figurinhas e 112 páginas.

Não basta o ingresso da final a R$ 56 mil? Não basta o rombo fiscal? Agora o simples gesto de colar papel virou artigo de luxo.

A história se repete: o torcedor, para ter o direito de colecionar os ídolos, precisa desembolsar o valor de um eletrodoméstico, e o pior — está pagando caro pelo fim de uma era sem ter voz nisso.

Distribuição Gratuita? A Fifa Acha que Isto é "Caridade"

Dentro do novo acordo, a Fifa prevê a distribuição gratuita de US150milhoes(cercadeR150milhoes(cerca de R 740 milhões) em itens colecionáveis ao longo de toda a parceria. Em nota, a entidade vende isso como um gesto de boa vontade, um aceno ao torcedor que não pode pagar.

Só que não engana mais ninguém. Enquanto promete "dar" cards e patches, a Fifa continua sugando o bolso do fã com ingressos milionários e figurinhas que valem mais que ouro. A "inovação" que Infantino tanto apregoa é a porta de entrada para um mercado de colecionáveis ainda mais restrito, onde cartas autografadas e patches exclusivos serão vendidos a preços de ouro para quem tiver grana — e paciência para lidar com a especulação. O dinheiro da distribuição gratuita, convenhamos, é migalha perto dos US$ 13 bilhões que a Fifa espera faturar no ciclo da Copa de 2026.

Da Cola para a Tela: A Morte da Troca

O anúncio de 7 de maio já aponta para a transição inevitável: o álbum digital, com trocas online e pacotes diários grátis, veio para ficar. Sim, é acessível. Sim, é global. Mas é também a morte da essência do colecionismo. Cadê a mão suja de cola? Cadê a troca com o amigo na escola? Cadê a emoção de abrir o envelope na banca de jornal? A Fifa quer transformar até o hobby em experiência solitária no celular, rastreável e monetizável até o último clique. Como tudo na gestão Infantino, a emoção é substituída por engajamento, e o papel, por pixels.

Conclusão: O Torcedor Continua Sem Musa

A Fifa provou, mais uma vez, que o futebol é apenas um pretexto para o lucro. Ao trocar a Panini pela Fanatics, a entidade não está olhando para a tradição do colecionismo, mas para as cifras que o mercado de cards colecionáveis pode render. O torcedor, aquele que suou para pagar 7 mil em figurinha ou 56 mil em um ingresso de final, está sendo expulso do próprio esporte.

O hexa pode vir. O novo álbum da Fanatics pode ser lindo. Mas a pergunta continua ecoando: para quem, afinal, a Fifa está fazendo esse espetáculo? A resposta — como sempre — está no bolso do torcedor. E, pelo andar da carruagem, esse bolso está cada vez mais vazio e o coração, cada vez mais longe do "maior espetáculo da Terra".