O Governo Afunda Junto (mas nem tanto)
Curiosamente — e isso diz muito sobre a relação de Lula com seu próprio mandato — os eleitores fazem uma distinção entre o presidente e a gestão. A reprovação ao governo como um todo fica em 57%, com 37% de aprovação. É menos pior? Sim. Ainda é desastroso? Também.
Significa que uma parcela dos brasileiros até tolera a máquina pública administrada pelo PT, mas não suporta o chefe. A rejeição é pessoal. É Lula pelo Lula. Pela troca de farpas com o Centrão, pelos episódios de descontrole, pelo "eu contra o sistema" que já cansou. A avaliação da administração federal, aliás, está no menor patamar desde o início do mandato. A boca do jacaré — aquela diferença entre as duas curvas — escancarou: 20 pontos separam aprovação e desaprovação da gestão.
A Geografia da Rejeição: o Nordeste Segura a Barra (e o Resto Abandona)
O mapa da rejeição é um retrato da polarização em esteroides. O pires de Lula continua sendo o Nordeste, única região onde o presidente mantém aprovação majoritária: 55,6%. Mas fora dali? O Centro-Oeste rejeita a gestão com 65,9%. O Sul, berço de uma das maiores bases do antipetismo, chega a 60,2%.
Recortes demográficos adicionam camadas de desastre: entre evangélicos, a rejeição dispara para 85,5%. Entre jovens de 16 a 24 anos, 72,7% desaprovam. Ou seja: o eleitorado que deveria representar o futuro do país já disse que Lula não faz parte dele.
Pior do que Bolsonaro? 42% Acham que Sim
O dado que mais deve doer no Planalto: 42% dos entrevistados consideram o governo atual pior que o de Jair Bolsonaro. Só 32% acham melhor. A vantagem que Lula mantinha nessa comparação direta vem derretendo mês a mês, e o fenômeno não é conjuntural: é estrutural.
Não se trata mais apenas de lembrar a pandemia ou os ataques ao sistema eleitoral. O brasileiro médio está comparando gestão com gestão — e achando a de Lula inferior. O antipetismo que antes se concentrava na figura do ex-presidente hoje se soma a uma insatisfação prática: a economia não anda, o preço dos alimentos não para de subir, e o discurso do presidente já não convence nem os convertidos.
O Preço do Sonho (versão Política)
Lembra dos ingressos a R11milho~es?DasfigurinhasaR11milho~es?DasfigurinhasaR 7 mil? Da FIFA embolsando 15% dos dois lados? Agora transporte essa lógica para a política. O petista apostou todas as fichas no discurso do "amor venceu o ódio", da volta do Brasil ao mundo, do "nunca antes na história deste país". Só que o torcedor — agora eleitor — cansou de pagar caro por promessas.
A Copa do Mundo virou produto de luxo para poucos. O governo Lula virou produtos de luxo para poucos — os apadrinhados, os aliados de última hora, o Centrão que custa R$ 12 bilhões em emendas parlamentares para não derrubar o barco. Enquanto isso, quem paga a conta é o mesmo de sempre: o trabalhador que vê a inflação corroer o salário, que ouve do Planalto que "a economia vai bem" e que a culpa é da "herança maldita".
A Economia Não Ajuda: Inflação e Desgaste Acumulado
Não é para menos. Pesquisa Ipsos-Ipec de março revelou que 51% consideram a atuação do governo em controle e corte de gastos ruim ou péssima. No combate à inflação, 50% têm percepção negativa. Em segurança pública, 49%.
A pesquisa Genial/Quaest, do mesmo mês, mostrou que 51% desaprovam a gestão, com apenas 44% de aprovação. A maioria (43%) avalia o governo negativamente, enquanto só 31% o consideram positivo. E o cenário não melhora. Dados de maio de 2026 já apontam desaprovação ainda maior em alguns levantamentos, com até 52% rejeitando o trabalho presidencial.
Aliados tentam minimizar, culpar a imprensa, falar em "narrativa". Só que os números, quando repetidos por institutos diferentes — PoderData, Ipsos-Ipec, Quaest, AtlasIntel —, deixam de ser ruído. Viram diagnóstico.
Reeleição: Missão (Quase) Impossível?
O cenário eleitoral para um improvável quarto mandato é, para ser gentil, catastrófico. Pesquisa RealTime Big Data de maio de 2026 mostra Lula tecnicamente empatado com quatro adversários em eventual segundo turno: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e até Ciro Gomes (PSDB). A vantagem que Lula ostentava no primeiro turno está minguando. E o que resta é um presidente com 61% de reprovação tentando convencer o eleitorado de que merece mais quatro anos.
No Datafolha de março, Lula lidera intenções de voto, mas é rejeitado por 46% dos eleitores — quase metade do país. Na pesquisa Futura/Apex de abril, o índice de quem não votaria no petista "em hipótese alguma" chega a 46,4%, o maior entre todos os pré-candidatos.
Conclusão: o Espetáculo Agora é Outro
A Copa do Mundo cobrava ingressos de luxo para um espetáculo cada vez mais distante do torcedor comum. O governo Lula cobra agora um preço igualmente alto — em popularidade, em confiança, em governabilidade.
61% de reprovação a seis meses da eleição não é um percalço. É um veredito. O torcedor cansou de pagar caro para ver o espetáculo. E o eleitor cansou de ouvir promessas enquanto a conta não fecha.
O apito final para este mandato pode estar mais próximo do que o Planalto imagina.