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Os números da tragédia Lula
Decisões Financeiras

Os números da tragédia Lula

Roberto Navarro
23 de abril de 2026
Para quem ainda duvida da dimensão do estrago, aqui vai o cardápio completo do desastre, com a data de 4 de maio de 2026 carimbada na testa: Déficit nominal anualizado: R$ 1,218 trilhão — o maior da série histórica, com alta de 28,4% em um ano. Gastos com juros da dívida: R$ 1,080 trilhão no acumulado de 12 meses — também o maior valor anualizado da história, reflexo direto da escalada da Selic e da gestão desastrosa da política monetária. Dívida bruta do governo geral: subiu para 79,2% do PIB em fevereiro de 2026, o maior nível desde outubro de 2021, com alta de 7,5 pontos percentuais durante o governo Lula. Terceiro mandato: deverá ter o maior déficit nominal médio da história do país — 8,54% do PIB de 2023 a 2026, superando o recorde anterior de 8,48% registrado durante os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer. Para o rombo não ser recorde, o deficit nominal teria que ser menor ou igual a 8,24% do PIB em 2026 — o que, dadas as projeções, beira o impossível.

Do discurso da "herança maldita" ao estrago real

Lula assumiu o mandato em 2023 com um discurso pronto: a culpa por qualquer dificuldade seria sempre da "herança maldita" deixada pelo governo anterior. O problema é que, mais de três anos depois, o bode expiratório já morreu de velhice — e as contas públicas estão piores do que nunca.

Os números são implacáveis: Lula herdou um déficit nominal de 4,6% do PIB em 2022. Ao término do atual mandato, esse rombo terá crescido quase 90%, saltando para os 8,5% de hoje.

É um feito e tanto: superar o próprio governo Dilma Rousseff, que entrou para a história como um dos períodos de maior descalabro fiscal do país, é uma marca que poucos presidente conseguiram. Lula conseguiu.

Sob o comando de Fernando Haddad na Fazenda, o governo fez o oposto do que prometeu. As despesas totais do governo devem somar R$ 2,63 trilhões em 2026, com um crescimento real de 7,95% acima da inflação — três vezes acima do limite de 2,5% estabelecido pelo arcabouço fiscal. O aumento real das despesas foi impulsionado por despesas fora do limite da regra fiscal e medidas populistas como a política do salário mínimo e reajustes salariais a servidores. Em ano eleitoral, claro.

A conta que não fecha

R$ 1,218 trilhão é um número tão absurdo que o cérebro humano se recusa a processá-lo. Então vamos traduzir essa cifra em algo mais palpável — e doloroso.

Com R$ 1,2 trilhão, o governo Lula poderia ter:

Mas elegeu gastar tudo — e mais um pouco — em juros, precatórios e rolagem de dívida. Não em obra. Não em gente. Em manter o esquema de pé.

A dívida bruta do governo geral não para de subir. Em fevereiro de 2026, a DBGG já pressionava 79,2% do PIB. Para se ter ideia do tamanho da armadilha, o Brasil gasta com pagamento de juros cerca de quatro vezes a média das 40 maiores economias do mundo. E o pior: o Tesouro Nacional estima que, mantido o ritmo atual, a dívida pode subir para 95% do PIB nos próximos anos.

A tentativa de manipular o arcabouço

Em meio ao caos fiscal, o governo Lula fez o que todo governo desesperado faz em ano eleitoral: tentou maquiar os números e criar exceções para gastar mais. A aprovação de precatórios e manobras na LDO de 2026 legalizou o fracasso do arcabouço fiscal ao permitir mais gastos fora da meta.

A ministra Gleisi Hoffmann respondeu como sempre: com ataque no X sobre suposta perseguição da imprensa. O Planalto insistiu em minimizar os dados, falando em "narrativa negativa" e culpando os "juros altos do Banco Central" (mesmo após a saída de Campos Neto e a indicação de Galípolo).

As estimativas mais recentes indicam que as despesas com juros da dívida no terceiro mandato terão média de 7,64% do PIB — patamar recorde. No primeiro mandato de Lula (2003-2006), esse gasto havia sido de 7,25% do PIB. O presidente que tanto criticou os "juros abusivos" conseguiu a proeza de elevar esse custo a um patamar ainda mais alto.

O ex-ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, foi cirúrgico em sua análise, em publicação que viralizou nas redes: "Nem a maior pandemia em 100 anos (...) conseguiu causar tanto dano às contas públicas quanto o PT".

Quem paga a conta? O torcedor de sempre

Assim como na Copa do Mundo, onde o ingresso para a final chega a R56mileafigurinhacustaR56mileafigurinhacustaR 7 mil para completar o álbum, a conta fiscal do governo Lula não será paga por quem assentou no camarote. Será paga por quem compra leite no supermercado, enche o tanque do carro e tenta sobreviver com salário mínimo.

O rombo de R$ 1,2 trilhão significa mais inflação, mais juros altos por mais tempo, menos investimento público e uma carga tributária que já bateu recorde: o governo Lula já somou 27 novos tributos ou aumentos desde 2023 — um a cada 37 dias. A receita?

Conclusão: o legado do buraco sem fim

O presidente que prometeu "responsabilidade fiscal" e "compromisso com o povo" entrega o maior rombo da história. A dívida explodiu, os juros consumiram mais de R$ 1 trilhão e o arcabouço fiscal virou letra morta.

Os torcedores do "time da esperança" agora assistem, estarrecidos, ao time do desgoverno transformar a poupança nacional em um ralo de R$ 1,2 trilhão. O espetáculo é o mesmo: caro, mal administrado e com o povo pagando a conta nos acréscimos.

O apito final deste mandato está próximo. E a torcida — que já vaiou no intervalo — já aprendeu a lição: promessa de responsabilidade fiscal não paga juro, nem compra supermercado.