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O Preço do Sonho
Mentalidade

O Preço do Sonho

Roberto Navarro
29 de abril de 2026
Nesta Copa do Mundo, o contraste nunca foi tão gritante. De um lado, a FIFA celebra projeções de receita recorde – US$ 13 bilhões. Pavimenta o caminho com cifras que parecem não ter fim. Sorri nos palcos, aperta mãos, anuncia patrocínios. O dinheiro jorra como se o mundo fosse um poço sem fundo. Do outro lado – bem do outro – está o torcedor.

E o ingresso para a final no MetLife? Aquele que deveria ser a recompensa de uma vida de paixão? Custa R$ 56mil Uma cobertura de luxo. Em troca de 90 minutos.

Planejar a viagem, então, vê se pode: exige malabarismos logísticos e orçamentários dignos de um equilibrista de circo. Gastos totais que superam dezenas de milhares de reais por pessoa. Um assalariado comum levaria anos para juntar. E quando junta?

A pergunta – a única que importa – ecoa mais alta que os gols:

Para quem é, afinal, esse "maior espetáculo da Terra"?

Para a FIFA? Para os patrocinadores? Para os donos dos ingressos de US$ 2,3 milhões?

Ou para você – que só queria ver o hexa de perto, colar a última figurinha, e voltar para casa com a certeza de que o futebol ainda é seu?

O sonho tem preço. E neste jogo, o torcedor está pagando muito mais do que deveria.

A pergunta não é se o hexa vem. É quem vai poder estar lá para ver.

Fim do discurso. Agora, reflita. Ou continue pagando.